Quem corre na trilha sabe: alimentação em treino não é detalhe. Em terrenos de montanha, com subidas exigentes, descidas técnicas, longas horas de esforço e um gasto energético elevadíssimo, comer bem durante o percurso faz diferença direta no rendimento, na constância da passada e até na segurança de como você chega ao final do treino.
Mas “comer bem” aqui não significa carregar uma refeição completa na mochila. Significa escolher itens práticos, leves, fáceis de consumir em movimento e nutricionalmente coerentes com a alta demanda da corrida de montanha.
Abaixo está nossa seleção revisada e otimizada de itens essenciais para carregar na sua mochila durante os treinos:
Gel de carboidrato: Prático e de absorção imediata para momentos de alta intensidade.
Isotônico e repositores de eletrólitos: Essenciais para manter o equilíbrio hídrico e evitar cãibras.
Mel e Rapadura: Fontes naturais de carboidrato simples, altamente tradicionais e fáceis de consumir.
Goiabada e Bananinha: Clássicos fáceis de achar, baratos e altamente tolerados pelo estômago.
Balas de goma e Frutas secas (tâmaras, damasco e uva-passa): Compactas, densas em energia e fáceis de mastigar.
Pão com melado ou pão com pasta de amendoim: Excelentes para treinos longos (longões), trazendo uma sensação reconfortante de “comida de verdade”.
Batata chips: Uma alternativa salgada excelente para quebrar o enjoo do doce e repor sódio.
Durante o exercício prolongado, o corpo passa a depender fortemente do carboidrato como combustível principal. No trail running, isso ganha ainda mais relevância devido à variabilidade do esforço: subidas íngremes esgotam os estoques rapidamente, descidas geram impacto muscular intenso, e a duração total dos treinos costuma ser estendida.
Por isso, priorizamos alimentos que entregam energia rápida e possuem alta tolerância gástrica:
Energia Rápida: Géis, mel, rapadura, goiabada, bananinha e balas de goma ocupam pouco espaço e entram na corrente sanguínea rapidamente quando o batimento cardíaco está alto.
Hidratação e Sais: Isotônicos combatem a desidratação causada pelo calor e esforço contínuo. Em montanha, perder eletrólitos sem repor compromete o sistema nervoso e muscular.
Suporte Salgado: Batata chips ou pão com pasta de amendoim (testada previamente) quebram a monotonia do paladar e ajudam a evitar a fadiga de sabor (enjoo de doce).
Para não errar no dia do longão ou da prova, siga estas premissas fundamentais:
Não dependa de uma única fonte: Combine géis ou carboidratos rápidos com opções naturais (como bananinha ou rapadura) e itens salgados (como batata chips).
O estômago é um músculo: Treine sua digestão. Se você pretende comer batata com sal ou caldinho no PC da prova, experimente consumir itens similares nos treinos longos de fim de semana.
Teste tudo antes: Nunca introduza um alimento novo no dia da prova. Alimentos gordurosos (como queijos pesados) podem desacelerar a digestão e arruinar sua corrida.
Na corrida de montanha, alimentar-se bem não é comer em grandes quantidades, mas sim comer com estratégia. Os melhores alimentos para levar são aqueles que entregam energia com praticidade, sustentam o esforço nas altimetrias mais duras e respeitam o seu sistema digestivo.
Dilvano Leder
Treinador de Corrida e Trail Running
Fisiologista do Exercício - UFPR
Doutor em Educação - UFPR